Feminicídio é tema abordado em Reunião do PJ e números assustam

Os vereadores do Parlamento Jovem (PJ), se reuniram nessa quarta-feira (27) e aprovaram a pauta com proposições de grande relevância.

Um deles foi o Anteprojeto de Lei (APL) 02/2019 da vereadora Lara Araújo Rocha que “institui 2019 como o ano da doação de sangue e medula óssea em Sete Lagoas, cria campanha para estimulação dessas doações”. A presidente do PJ, Julya Oliveira, parabenizou a colega pelo texto e disse que “a gente devia discutir mais o assunto”.

O Pedido de Providência 13/2019, do vereador Gabriel de Souza, também gerou grande debate. O texto pede “resposta referente a compra de materiais escolares básicos para os alunos de baixa renda, uma vez que o governo do Estado manda a verba destinada para compra desses materiais”.  Para Filipe Abreu, é “muito importante para pessoas que não tem oportunidade da educação como nós temos”. Humberto de Souza acredita que a proposta “vai motivar muitos alunos carentes. Vai aumentar frequência escolar e o rendimento dos estudantes”.

Infelizmente muito frequente em todos os noticiários, o feminicídio foi abordado em duas palestras. Gabriela Máximo falou aos vereadores sobre o “não para a morte das Marina’s, Maria’s, Mulhere’s”. Ela é idealizadora do projeto Marinas, criado depois que sua irmã, Marina Máximo, foi vítima de feminicídio aos 24 anos em Sete Lagoas, em dezembro do ano passado.

Gabriela se mostrou surpresa com o desempenho dos vereadores e disse que “se nosso país seguisse tudo o que vocês têm falado aqui, não teríamos tantos problemas”. A idealizadora do projeto Marinas admitiu que o tema “é muito importante e muito doído para mim”. Ela falou também que “reconhecer um relacionamento abusivo é muito complicado. A pessoa que tirou a vida dela não dava sinais. É preciso ficar atento a pequenos sinais como ciúmes”, pediu.

Da Polícia Militar, a Sargento Bárbara Maria também ocupou a tribuna para falar sobre o tema. Cantora e compositora, a policial é doutora em violência doméstica contra mulher e abordou o contexto histórico sobre os homicídios contra mulheres. “A criminalização do feminicídio foi proposta a partir de uma demanda de contexto, no Brasil foi em 2006”, esclareceu.

A policial lamentou o fato de os casos serem recorrentes “e próximos de nós. Feminicídio é o extremo de uma violência vivida, às vezes, ao longo de uma vida. Se inicia com pequenos abusos antes de a mulher morrer por ser mulher”. Bárbara revelou que a partir deste ano vai levar para escolas da cidade um trabalho de empoderamento feminino com psicologia, palestras e músicas compostas por ela mesmo.

 

 

Feminicídio no Brasil e em Sete Lagoas

Dados apresentados por Bárbara revelam que a morte de mulheres no Brasil aumentou nos últimos anos. De um ranking com 84 países o Brasil era, em 2010, o sétimo colocado e em 2013 subiu para a quinta posição. “É uma coisa para gente refletir”.

Mais de 106 mil mulheres foram mortas dos anos de 1980 até 2013. A estatística revela ainda que mais de duas mil mulheres foram assassinadas em um ano, entre os meses de março de 2016 a 2017. Em Sete Lagoas os números também assustam. Só em 2018 foram 1.599 ocorrências de violência contra mulher. No período foram cinco homicídios tentados e um consumado.

A sessão foi prestigiada pelos vereadores Renato Gomes (PV), Euro Andrade (PP) e também pelo prefeito interino, Cláudio Caramelo (PRB).

 

 

Assessoria de Comunicação Câmara Municipal de Sete Lagoas